Desencontrando, eu me encontrei

A gente vai se conhecendo a partir do ambiente que nos cerca e do feedback que vamos recebendo das pessoas a respeito de quem somos, quem não somos, quem aparentamos ser. As vezes as pessoas ao nosso redor acertam e fazem com que tenhamos uma noção saudável sobre quem somos. As vezes estamos em um momento da vida onde conseguimos separar aquilo que a pessoa traz e que é apenas dela, aquilo que é em relação a nós e aquilo que é em relação a junção de duas vidas que está acontecendo naquele momento. As vezes estamos confusos demais e despersonalizados demais para fazer essa diferenciação e aceitamos tudo de todos sem discernir muito bem se aquilo que x está me dizendo realmente é aplicável a mim. Ou eu apenas fui lida de uma forma errada porque x tem lentes de contatos suas que fazem que x veja o mundo de uma forma específica.

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Nunca vou esquecer do dia que uma professora disse em uma aula que ninguém iria encontrar sua outra metade da laranja. Porque ninguém era uma metade da laranja. Cada um era uma laranja completa, que iria encontrar outra laranja completa e então duas laranjas completas iriam resolver que aquela companhia era agradável o suficiente para seguir a vida juntas.

Mas quando estamos em uma relação e quem somos não está tão claro assim, as coisas começam a ficar mais complicadas. Mais misturadas. E quando a outra pessoa parte, você não sabe mais o que era seu, o que era dela, o que era da relação, o que você quer que fique, o que você quer que mude. O que está acontecendo.

Tem toda a história de expectativas, quando nos encontramos com uma pessoa. Encontramos no sentido que sentimos estar no mesmo modo de pensar do outro. Com expectativas parecidas. Com desejos parecidos. Com ideias sobre o que é tratar uma outra pessoa bem parecidas. E por aí vai. Muito além de um simples encontro físico. Esse outro tipo de encontro envolve muito. Eu não sei porque, quando eu devia ter uns oito anos, eu achei que teria sorte na vida na questão de encontrar pessoas. Talvez eu tenha assistido muitos filmes da Disney, mas confesso que tem sido uma aprendizagem interessante todos os mais diversos desencontros que eu encontrei no meu caminho.

Alguns mais traumáticos que outros, alguns mais estúpidos que outros, alguns mais tranquilos que outros, eu descobri que me desencontrando com tanta gente foi que eu comecei a me encontrar de verdade. Foi não permitindo que as pessoas tivessem uma visão distorcida minha que eu descobri qual era a visão que eu tinha de mim mesma. Foi estabelecendo limites que eu descobri até onde eu aceitava flexibilizar. Foi quando eu ouvia “tu é … “, que eu me contorcia por dentro e pensava que eu não sou nada que eu não queira ser. Que eu não sou uma visão planificada de uma pessoa que me conhece a poucas horas e acha que sabe todas as curvas, desvios e atalhos do meu ser. Nem eu sei.

O encontro de dois mundos é impactante e eu acho que deve ser visto como algo importante. As pessoas se influenciam, se afetam e é mágico como essa troca tem consequências. Pode doer e pode fazer crescer. Na maioria das vezes dói e com a dor a gente cresce. E dói porque somos descuidados como seres humanos com outros seres humanos. Faz parte. Eu queria chegar a uma conclusão de que existe uma receita especial que poupe todo esse desgaste emocional, mas a única conclusão que eu cheguei é que me desencontrando dos outros e me desencontrando de mim mesma é que eu encontrei a estrada certa para voltar a me encontrar. É simplesmente confuso assim.

 

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Dor

Assim que eu abri os olhos, senti uma pontada na parte frontal do lado direito da cabeça. E em seguida, senti outra. E outra. E outra. E antes que eu pudesse me convencer a levantar e começar o dia, cogitei se não seria melhor se tudo explodisse de uma vez. Se a dor não se tornasse tão insuportável que eu desligasse. Cogitei esse caminho. Uma simples explosão e fim. Talvez fosse melhor do que levantar e lidar com pontadas e apertões por dias e dias sem fim. Talvez.

 

Dear July

Dear July é um projeto realizado pela Emily no seu canal do youtube. O conceito é simples e acolhedor, durante o mês de julho ela posta vídeos como se fossem cartas faladas ao mês de julho. São vídeos que conversam comigo de uma forma interessante e eu sempre tenho vontade de participar. Contudo, eu gosto de escrever palavras e não tanto de gravá-las.

Julho é um mês interessante. É quando a minha idade é alterada. É quando faz frio e eu posso beber uma quantidade absurda dos mais variados tipos de chás. É quando eu me vejo descansando entre um semestre e outro. Quando a minha mente consegue descansar um pouquinho. (confesso que bem pouquinho).

Eu voltei a sentir uma necessidade crescente de jogar palavras para o mundo ouvir. De me expressar sem medo. De realmente sentir. De me permitir sentir e sentir e sentir. Mesmo que doa. Sendo honesta, normalmente dói. Crescer dói e mudar dói. Contudo, ao olhar para trás, ao ler tantos textos antigos que minhas mãos já escreveram, a sensação não é mais de dor. E perceber que algo que tanto machucou hoje não passa de um texto bonito dedicado a pessoas e sentimentos que já não fazem mais parte da minha vida, é bom.

Eu quero voltar a ter contato com esse lado meu. Seja falando sobre livros, sobre músicas ou sobre sentimentos que percorrem minha cabeça. Eu quero voltar a sentir sob a forma de palavras. Era tão bom.