Uma Jornada à Noruega 3/3

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Depois de alguns meses do meu retorno ao Brasil e alguns meses que todas as minhas viagens aconteceram, eu me sentei para organizar álbuns de fotos. Não os eletrônicos, mas os de verdade mesmo. Aqueles que talvez estejam quase entrando em extinção e talvez a dificuldade que eu tive para encontrar uma variedade satisfatória de álbuns nas lojas prove isso. A verdade é que o processo de seleção das fotos e depois o processo de organização delas foi extremamente nostálgico, sentimental e um pouquinho dolorido, preciso admitir. Também, me levantou uma questão que eu comecei a pensar em Estocolmo e passou a permear todas as minhas viagens desde então: minha relação com museus, obras de arte e fotografia.

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Começou em Estocolmo porque foi lá que eu decidi fazer algo completamente fora da minha zona de conforto e visitar um museu de fotografia, o Fotografiska. Eu digo fora da minha zona de conforto porque eu nunca me vi interessada por fotografia. Sempre foi algo que eu tirei para registrar momentos, mas nunca muito preocupada com estética. E um museu de fotografia me soava extremamente alternativo e cool para uma pessoa como eu. Para uma pessoa que era eu. Aí entramos também na questão de pré-julgar coisas com base em ideais que nós colocamos nelas e que no fundo, não tem muito a ver. Qualquer ser pode ir em um museu de fotografia e se relacionar com ele. E foi isso que eu senti.

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Eu sempre me relacionei com histórias que li em livros. Sempre foi muito fácil para mim me relacionar com o ambiente e personagens criados pelos autores, suas mais diversas experiências de vida e tudo mais. Essa era o tipo de arte que eu me sentia confortável em consumir. Que eu me sentia capaz de compreender. De me relacionar com. O Fotografiska foi uma experiência que mudou minha vida porque me mostrou que eu posso compreender fotografia em um nível muito mais íntimo do que achei que poderia. Que a foto pode conversar comigo. É só eu me abrir para ela e deixar ela me contar sua história. A partir daquele momento, eu me senti capaz de consumir arte de uma forma completamente diferente e isso mudou significativamente minha experiência em um continente que tem tanta arte por todos os lados. E fez com que passeios por museus se tornassem uma troca de histórias. E fez com que eu entrasse em museus que nunca pensei que fosse entrar e ao entrar de coração aberto, me permiti ser surpreendida.

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Eu não preciso entender tecnicamente a arte. Eu não preciso ser artista. Eu não preciso saber de cor os nomes dos pintores mais famosos. Eu não preciso entender movimentos de épocas diferentes ou saber exatamente qual quadro é de quem ou porque o quadro x fez sucesso na época y. Se eu quiser, eu posso ir atrás é claro, mas eu aprendi que nada disso é pré-requisito para apreciar arte. Eu posso apreciar arte do meu jeito e não pode existir um jeito certo e um errado de fazer isso. Eu posso dizer que para mim, apreciar arte é parar na frente de um quadro que no meio de mais quinze me chamou mais atenção e conversar com ele. Ver o que ele me diz. Qual sentimento ele grita. Se ele grita. Se ele chora. Se ele ri. Porque quadros fazem isso, eu descobri. Esculturas dançam.

DSC06974E eu também aprendi que me expondo a diversos tipos de museus, eu posso descobrir o que eu gosto mais e eu posso aprender a diferenciar as mais diversas formas de exibir arte que existem por aí. Em Oslo, eu comprei o Oslo Pass que pelo valor, me dava acesso a praticamente todos os museus da cidade e fiz muito bom uso disso.

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Talvez eu não tivesse visitado o museu dos barcos vikings e talvez eu não tivesse tido uma experiência sensacional como eu tive. E talvez eu não tivesse tido a chance de entrar em vários museus, dar uma olhadinha e descobrir que não era para mim. De entender que arte moderna contemporânea talvez esteja mais avançada para o meu nível de conversação com as obras. Não rolou diálogo, mas eu estava lá e eu dei uma chance.

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E arte vai muito além daquilo que está dentro dos museus. É aquele prédio que fez com que eu atravessasse a rua para ver mais de perto. Que fez com que eu observasse e sorrisse pensando “que coisa linda de se ter no meio de uma rua qualquer”. É um parque de estátuas que te deixa completamente absorta do mundo. Talvez pensando “e se todas elas criarem vida nesse exato momento”, mas também pensando que a vida é meio mágica. É como as folhas caem no chão no outono e é como a paisagem fica toda em uma paleta de tons laranja. A arte só é arte porque alguém é cada pedacinho da vida é um pouco arte e felizmente existem pessoas com olhos que veem isso.

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Recomendação de livro:

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2 pensamentos sobre “Uma Jornada à Noruega 3/3

  1. Melodramática – Querido Julho,

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