Uma jornada à Noruega 1/3

Eu ganhei “O Mundo de Sofia” quando tinha uns 10/11 anos e algo naquele livro me cativou de uma forma única. Eu li ele três vezes no período de um ano naquela época e desde então não tinha mais entrado em contato com a narrativa, tinha apenas noção que era um dos meus livros favoritos. Em fevereiro eu comecei uma releitura – que não chegou a ser finalizada – e consegui olhar para a Gabriele daquela época e entender o que naquele livro gigante e com letrinhas pequenas chamou tanto a atenção dela.

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Ela não tinha muitos amigos, ela era extremamente tímida e compreendia o mundo de uma forma que a tornava “a” estranha da turma. O que “O Mundo de Sofia” faz, é convidar o leitor para uma jornada de conhecimento sobre a história da filosofia de uma maneira encantadora e ao mesmo tempo, convida o leitor a pensar sobre a sua compreensão de mundo e de ser humano. Eu tenho certeza que a pequena Gabriele gostou de ser incentivada a pensar daquela forma, sem julgamentos, sem certo e errado. Apenas: vamos pensar sobre como pensar.

Enfim, a minha história com o livro é longa, mas resumindo: ele é importante para mim. E desde essa época, eu acabei com a vontade de visitar a Noruega. O autor é norueguês e o livro é ambientado na Noruega. Ou seja, eu precisava visitar a Noruega. Sem nenhum motivo maior, sem saber realmente o que tem no país para visitar, eu só sentia que precisava ir.

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Anos e anos se passaram e de repente eu estou estudando na Holanda – bem mais perto que o sul do Brasil! – e de repente me vejo com uma semana sem aulas. Não precisei pensar muito até decidir que: Noruega!!

Comecei a planejar então essa semana de “folga” e onde iria partir sozinha para o destino tão sonhado. Antes de chegar lá, no entanto, passaria por Copenhagen e Estocolmo. Duas cidades que eu também nunca tinha pesquisado muito, mas que já posso dizer que me surpreenderam de todas as formas possíveis.

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A questão é que um sonho aparentemente inalcançável e bobinho de “ir para noruega” está para acontecer em algumas horas a partir do momento que eu digito essas palavras. E acontece que essa pequena viagem acabou virando muito mais do que visitar a Noruega. E a Dinamarca. E a Suécia. Acabou virando uma viagem onde eu pude me visitar. Me visitar de várias formas.

Em casa, eu passo relativamente bastante tempo sozinha. Eu faço terapia uma vez por semana. Eu penso e repenso em tudo que eu faço e deixo de fazer. Eu constantemente estou em contato comigo mesma. Isso é ótimo, dolorido e sofrido ao mesmo tempo.

Desde que cheguei na Holanda, a vida tem sido maravilhosa, mas corrida demais e vivida demais. As coisas tem acontecido, momentos lindos tem sido vividos e isso é ótimo, mas eu não tenho conseguido muito tempo parar ficar comigo mesma. Para parar e simplesmente assimilar toda essa imensidão de sentimentos e momentos que eu tenho adquirido aqui.

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Essa viagem tem me proporcionado isso. Momentos de “nossa, estou em Copenhagen. Copenhagen. E é maravilhoso”.

De conseguir estar presente no momento. E sabe, que momento.

 

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Um pensamento sobre “Uma jornada à Noruega 1/3

  1. Oi.

    Gostei bastante de saber um pouco mais sobre a sua viajem e da importância dela.

    Me identifiquei bastante com sua história — acho que mais seria improvável. Acredito que vá me acontecer o mesmo, quando e se eu visitar a Irlanda, onde Beckett viveu (talvez será um tanto como um epifania). Em Beckett eu tive minhas primeiras crises e descobertas com o mundo. Algumas biografias me derem essa sensação indescritível de mesma forma.

    Também passo a maior parte do tempo pensando sobre meus pensamentos e comportamentos. Estar relativamente só, me dá certa insegurança ao tratar com as pessoas.

    O que está me permitindo estar mais tempo no presente, são os meus estudos sobre o budismo (o faço como filosofia, acredito que foi uma das melhores coisas que me aconteceu) e as psicologias baseadas em acceptance.

    É ótimo realmente estar no instante.

    Espero não estar sendo inconveniente de algum modo. Até.

    Curtido por 1 pessoa

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