Sozinha

Eu demorei tanto tempo para me aceitar como indivíduo, e eu não cheguei ao final da minha jornada ainda – final esse que é inexistente, é um grande, longo e cansativo processo de crescimento, aceitação e autoconhecimento. Contudo, a sua partida permitiu que eu mergulhasse em um intensivo de me conhecer. E doeu, mas pela primeira vez eu posso dizer que me aceitei mais do que me odiei. Eu me acolhi e não me ataquei. Talvez por já estar sendo atacada tanto por você, que eu precisei me proteger.

Você não sabe nada disso. Você nunca vai saber. Mas houve ataques. Ataques que eu demorei a perceber. Você provavelmente não percebeu, conscientemente, eles. Por isso, eu não o culpo inteiramente. Mas eu preciso aprender a me acolher e a única forma disso acontecer, agora, é não defender quem fez com que eu sentisse dores. Independentemente se foram intencionais ou não.

Eu causei dores também. Sei que sim. Intencionalmente ou não. Não sei que tipo de dores eu causei. Assim como você não sabe que tipo de dores causou em mim. A diferença é que eu mergulhei para entender e você só ignorou o nosso relacionamento. E um relacionamento que termina, deixa marcas. E essas marcas são dores.

Acontece. Faz parte.

Eu só não posso ter compaixão agora.

Por que é me infligir mais sofrimento e eu não consigo aguentar. Ainda estou tentando lidar com os outros.

Mas eu sou quem lida bem com a solidão. Você já encontrou alguém novo. Eu não. Eu estou sozinha. Sozinha em toda a grandeza da palavra. Sozinha em todas as facadas que essa palavra representa. Sou eu. E eu sou a pessoa que lida bem com esses golpes. Sempre lidei.

A diferença é que agora eu sei como é bom poder ligar para alguém no meio de uma noite tempestuosa de pensamentos onde eu não consigo dormir e eu sei como é ter alguém para me abraçar e uma mão para segurar e uma boca para beijar. Eu sei como é não estar sozinha. É diferente estar sozinha, não conhecendo como é estar junto de alguém e estar sozinha e sentir falta.

Eu ainda sou a pessoa que lida bem com a solidão. Porque são raras as noites que eu me pego com lágrimas nos olhos e com o coração apertado, sentindo falta de alguém. Não de você. De alguém. É raro. Na maioria dos dias os golpes chegam e eu fico bem. Eu fico bem porque não tem muito o que eu possa fazer para mudar a situação agora.

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Um pensamento sobre “Sozinha

  1. Oi. Muito bonito. Me reconheci em alguns pontos.

    Construir, manter e desconstruir nossas relações é um processo que também contém partes bastante difíceis.

    Sempre quando tentamos nos relacionar com os outros, deixamos de ser um tanto de nós — se pensa em dois ao invés de um. Mas não parece ser bom em nenhuma circunstância, deixar de nos construirmos, para construirmos unicamente um dois, um outro. Se reconhecer e reconhecer o outro, é algo sempre à se lembrar. Entender as relações e pretensões que almejamos ter, incluindo a nós mesmos, em relação com os outros.

    É muito difícil não se doar demais, equilibrar, quando se tratam de situações importantes (quando elas tomam a dimensão de importância, que elas têm hoje). Devemos nos questionar.

    Estar na exterioridade da experiência é muito complicado, mas ela também nos revela muito.

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